De acordo com uma pesquisa, é provável que o Banco Central Europeu mantenha as taxas de juros inalteradas pelo menos até o final do ano. Os economistas consultados afirmaram que a taxa de depósito permanecerá em 2% após a reunião do Conselho do BCE nos dias 4 e 5 de fevereiro. A proporção de entrevistados que esperam um ou mais aumentos nas taxas até 2028 aumentou de cerca de um quarto na pesquisa anterior para um terço.

Essas previsões refletem a crescente incerteza econômica após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar que poderia abandonar rapidamente o acordo comercial firmado com a Europa no verão passado. Ao mesmo tempo, a valorização do euro ameaça reduzir a competitividade das exportações e pressionar ainda mais a inflação, que já se encontra abaixo da meta do Banco Central Europeu (BCE).
Por ora, os formuladores de política, liderados pela presidente Christine Lagarde, avaliam que a atual configuração da política monetária é adequada para enfrentar os desafios à frente. Ainda assim, diante da apreciação da moeda única, o ministro da Economia da Áustria, Martin Kocher, e outros dirigentes destacaram a necessidade de estar preparados para agir com rapidez. Na próxima reunião, é provável que Lagarde reafirme que a economia da zona do euro permanece relativamente sólida, ao mesmo tempo em que ressalte que os riscos continuam elevados. Diante da fragilidade renovada nas relações comerciais transatlânticas, o BCE também deve abordar essas preocupações.
A inflação subjacente na zona do euro segue acima da meta de 2% do BCE, o que justifica uma postura cautelosa de política monetária, embora o progresso em direção a uma inflação mais baixa tenha sido considerado razoável. O crescimento econômico da região, contudo, permanece frágil, enquanto a incerteza geopolítica associada a conflitos e o risco de novas disputas comerciais ampliam o balanço de riscos.
Nesse contexto, é provável que o BCE mantenha uma estratégia de "esperar para ver", acompanhando de perto os indicadores econômicos e os desdobramentos geopolíticos antes de promover quaisquer ajustes adicionais nas taxas de juros.
Economistas consultados também afirmaram que as tensões geopolíticas atingiram o nível mais elevado em pelo menos dois anos, após Trump utilizar o palco do Fórum Econômico Mundial para exigir que a Europa cedesse a Groenlândia ou enfrentasse tarifas mais altas. Embora o presidente tenha recuado posteriormente, o episódio acabou reforçando os esforços de cooperação dentro do continente. Nesta semana, a Europa firmou um acordo comercial com a Índia, após um entendimento separado com países da América do Sul no início do mês.
A moeda única se valorizou cerca de 15% no último ano e recentemente ultrapassou o patamar de US$ 1,20, à medida que investidores estrangeiros passaram a adotar uma postura mais cautelosa em relação aos Estados Unidos. As autoridades monetárias acompanham o movimento de perto, mas, por ora, evitam soar o alarme.
As projeções do BCE apresentadas na pesquisa indicam que a inflação ao consumidor neste ano e no próximo deverá ficar ligeiramente abaixo de 2%, com retorno à meta apenas em 2028. Os economistas veem riscos predominantemente baixistas no curto prazo e riscos altistas mais pronunciados em 2027, enquanto a inflação de médio prazo permanece, em linhas gerais, alinhada às estimativas atuais.
Apesar disso, os traders elevaram as apostas em pelo menos um corte de juros ainda este ano. Apenas 12% dos entrevistados esperam um ou mais cortes até o fim de 2027, mas cerca de 40% consideram que um corte é mais provável do que um aperto monetário.
Uma perspectiva técnica para o EUR/USD sugere que os compradores devem considerar recuperar o nível de 1,1950. Isso abriria caminho para testar 1,1980. A partir daí, é possível um movimento para 1,2030, embora seja difícil avançar além disso sem o apoio dos principais participantes. O alvo estendido é 1,2080. Se houver uma queda, espero um interesse de compra significativo em torno de 1,1890. Se os compradores não aparecerem lá, seria prudente esperar por uma nova mínima em 1,1850 ou abrir posições de compra a partir de 1,1810.
Quanto ao par libra/dólar, os compradores da libra esterlina precisam capturar a resistência mais próxima em 1,3780. Só isso lhes permitirá atingir 1,3840, acima do qual uma quebra seria desafiadora. O alvo estendido está próximo de 1,3899. Se o par cair, os vendedores tentarão assumir o controle em 1,3730. Se forem bem-sucedidos, uma quebra dessa faixa representaria um sério golpe para as posições de compras e poderia empurrar o GBP/USD para baixo, para 1,3685, com possibilidade de extensão para 1,3630.
