
Hoje, o ouro acelera sua queda, rompendo abaixo do patamar psicológico de US$ 5.000 e mantendo um viés baixista. O dólar americano apresenta ganhos moderados, sustentado pelo otimismo em torno de um acordo no Senado para financiar o governo federal até o fim do ano fiscal. Esse avanço reduz a incerteza política de curto prazo e incentiva os altistas do ouro a realizarem lucros.
No entanto, riscos potenciais à independência da Reserva federal (Fed), somados às expectativas de cortes de juros nos EUA, podem limitar um fortalecimento mais expressivo do dólar e oferecer algum suporte ao metal precioso. Além disso, as ameaças tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, e a turbulência geopolítica persistente tendem a desacelerar a queda do ouro. Assim, seria prudente aguardar uma confirmação mais robusta da pressão vendedora antes de concluir que o metal atingiu um pico.
Democratas e a Casa Branca chegaram a um acordo para financiamento temporário do Departamento de Segurança Interna, enquanto os legisladores correm para aprovar um pacote de gastos até sexta-feira, a fim de evitar uma paralisação parcial do governo. A notícia deu um leve impulso ao dólar, desencadeando novas vendas de ouro.
Na quinta-feira, Trump afirmou estar relutante em recorrer à força militar contra o Irã, o que elevou a confiança dos investidores. Ainda assim, os mercados seguem cautelosos diante de sua ameaça de impor tarifas de 50% sobre aeronaves canadenses, até que os jatos Gulfstream dos EUA recebam certificação no Canadá.
O presidente também voltou a criticar o presidente do Fed, Jerome Powell, no Truth Social, defendendo cortes agressivos de juros. Apesar da pressão política sem precedentes, o Federal Reserve manteve as taxas inalteradas na quarta-feira, adotando uma postura equilibrada. Trump reiterou que anunciará nesta sexta-feira o sucessor de Powell, com Kevin Warsh surgindo como o nome mais provável. Ainda assim, preocupações quanto à autonomia da política monetária frente à interferência da Casa Branca tendem a limitar um rali mais consistente do dólar.
No front geopolítico, os EUA ampliaram o deslocamento de navios de guerra e caças no Oriente Médio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, confirmou prontidão para ações decisivas sob ordens de Trump. Esse cenário eleva os riscos de escalada e reforça a demanda por ouro.
A Rússia voltou a convidar o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky para negociações de paz em Moscou, mas um acordo permanece distante devido a divergências fundamentais, incluindo a recusa de Kiev em ceder integralmente a região de Donbas para encerrar o conflito que já se estende por quase quatro anos.
Para melhores oportunidades de negociação nesta sexta-feira, os investidores devem acompanhar a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos EUA na segunda metade da sessão norte-americana, além de comentários de membros-chave do FOMC e do anúncio do novo presidente do Fed, fatores que podem definir a demanda pelo dólar e traçar a trajetória do ouro.
Do ponto de vista técnico, no gráfico de 4 horas, o Índice de Força Relativa (IFR) entrou em território negativo, enfraquecendo a posição dos altistas. O histograma do MACD segue perdendo força e permanece abaixo da linha de sinal, indicando perda de momentum intradiário.
Por outro lado, no gráfico diário, os osciladores ainda permanecem em terreno positivo, sugerindo que os altistas ainda não estão prontos para abandonar o mercado.
