Sem surpresa, a decisão da Suprema Corte de anular as tarifas da Casa Branca já era amplamente esperada. A administração, no entanto, reagiu de imediato e jogou sua carta de trunfo, impondo uma nova tarifa global de 15% por um período de 150 dias. Encerrada essa janela, Donald Trump prometeu tornar as taxas permanentes — bastariam, segundo ele, as investigações apropriadas. Os EUA já recorreram a instrumentos semelhantes nas relações comerciais com a China. Essa parte é direta. A incógnita permanece sendo como os demais países irão reagir. Até que isso fique claro, o EUR/USD segue contido, como um tigre enjaulado.
Enquanto o cenário não se define, a Europa mostra-se disposta a suspender as negociações comerciais com os Estados Unidos. A Índia também optou por adiar as conversas. Ninguém tem recursos sobrando para desperdiçar, e tampouco há disposição para pagar pelo acesso à "grande e bonita loja" chamada América — ao menos, não nos termos imaginados por Trump.
Confiança empresarial na Alemanha

Por ora, a União Europeia parece capaz de absorver o impacto das tarifas. Um sinal disso é o retorno da atividade industrial da Alemanha ao território de expansão, acima do limiar de 50 pontos, pela primeira vez em três anos. Além disso, os indicadores de clima empresarial alemães superaram as previsões do consenso da Bloomberg em fevereiro.
A principal questão para o mercado é como as tarifas influenciarão a política do Federal Reserve. Em 2025, muitos acreditavam que as tarifas enfraqueceriam a economia e forçariam cortes de juros antecipados, o que pressionou o dólar. No entanto, o episódio do shutdown mostrou que a incerteza dificulta a tomada de decisões — o Fed pode, perfeitamente, manter as taxas inalteradas por um período prolongado. E, por enquanto, o diferencial de juros segue favorecendo o dólar.
Se no quarto trimestre o Fed demonstrou preocupação com o mercado de trabalho e afrouxou a política de forma preventiva três vezes, janeiro mudou a narrativa. Como afirmou Jerome Powell, à luz dos dados, é difícil sustentar que a política monetária seja restritiva. O banco central voltou a concentrar-se nos riscos inflacionários. O mercado de trabalho permanece sólido — e isso antes mesmo do expressivo ganho de 130.000 vagas em janeiro.
Desempenho econômico dos EUA


Infelizmente, a desaceleração do crescimento dos EUA, de 4,4% para 1,4%, cria um novo desafio para a Reserva Federal. Tradicionalmente, recessões começam com o arrefecimento do mercado de trabalho — um processo que já parece em curso. Caso essa tendência se prolongue, o PIB corre o risco de entrar em terreno negativo. Nesse cenário, o banco central teria poucas alternativas além de promover cortes agressivos nas taxas de juros — um desfecho claramente desfavorável para o dólar. Esse choque poderia ainda coincidir com a chegada de um novo presidente do Fed, Kevin Warsh.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário mostra que o EUR/USD formou uma "pin bar" (barra Pinóquio) com longa sombra superior. Esse padrão sugere elevada probabilidade de movimento na direção oposta, ou seja, para baixo. Um rompimento do suporte representado pela borda inferior da faixa de fair value entre 1,1785 e 1,194 reforçaria o argumento para ampliar posições de vendas já existentes.
