
Especialistas do Centro para a Reforma Europeia (CER) alertaram a liderança alemã para a ameaça iminente de uma forte desindustrialização e do aumento do desemprego devido à expansão econômica agressiva da China. Os analistas afirmam que um período apelidado de “China Shock 2.0” está começando, traçando um paralelo direto com o que ocorreu há 25 anos nos Estados Unidos, quando a entrada massiva de produtos chineses baratos devastou cidades inteiras do cinturão industrial americano, provocando a perda de mais de 2,5 milhões de empregos e desencadeando uma grave crise social.
Os dados estatísticos mostram uma rápida deterioração da situação na principal economia da União Europeia. O superavit comercial da China em relação à Alemanha duplicou entre 2024 e 2025, saltando de 12 mil milhões para 25 mil milhões de dólares e elevando o desequilíbrio comercial total para 94 mil milhões de dólares.
Os principais centros da indústria automóvel e metalúrgica alemã, incluindo Wolfsburg e Stuttgart, estão agora entre os mais expostos ao risco. A situação é agravada pela iniciativa chinesa chamada “10.000 pequenos gigantes”, destinada a retirar espaço às pequenas e médias empresas alemãs nos mercados internacionais.
Os autores do relatório criticam Berlim pela falta de firmeza e apelam ao governo para abandonar a postura passiva diante dos avanços do concorrente oriental. O relatório recomenda que a Alemanha adote imediatamente uma estratégia econômica mais ofensiva e apoie as iniciativas francesas voltadas à proteção dos mercados europeus contra o aumento da entrada de produtos chineses.
A relevância destes alertas é reforçada pelos indicadores internos mais recentes. Segundo um relatório do Departamento Federal de Estatística da Alemanha, o país registou uma forte queda no emprego, com a eliminação de 486 mil postos de trabalho no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma redução superior a 1% em comparação com o final do ano passado.
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